Dona Sinhá

A marca “DONA SINHÁ” constitui um nome de fantasia, mas a personagem que a inspirou teve existência real. Com efeito, á época  da escravatura e do auge da agricultura canavieira, o apelido “DONA SINHÁ” era usado pelos escravos para designar a esposa do senhor de engenho,da mesma forma como se chamavam “sinhazinhas” ás filhas respectivas. Tais apelidos foram sumindo junto com a libertação dos escravos e, hoje, constituem reminiscência histórica.

A “DONA SINHÁ” que personaliza a “grife” viveu sua juventude no final do século XIX e faleceu no Recife, em meados do século passado, portanto, tendo compartilhado o acaso do período imperial. Trata-se de D.Isabel Tavares Lima de Souza Leão, que desposou o DR. Manoel Felipe de Souza Leão, proprietário do Engenho Tapera e Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, depois Juiz Federal no então território do Acre, onde veio falecer em plena juventude, acometido por febre não identificada á época. O esposo da “DONA SINHÁ” era irmão do DR. Antônio Felipe de Souza  Leão, titulado como Barão de Morenos, por ser proprietário do engenho do mesmo nome e suas propriedades eram vizinhas. Quando da visita de sua Majestade D.Pedro II a Pernambuco, o qual foi recepcionado e hospedado no Engenho Morenos,”DONA SINHÁ”  homenageou o então Imperador  do Brasil,apresentando-se ao piano e entoando algumas peças clássicas, além de ter inserido, entre as sobremesas, o hoje tradicional “Bolo Souza Leão”.

Hoje, o Engenho Morenos ainda permanece na propriedade dos descendentes do Barão de Morenos e sua “casa grande” e capela acham-se mantidas e bem conservadas. Quanto ao antigo “Engenho Tapera”, com a morte do proprietário em plena juventude, foi adquirido pela família Maranhão, que ainda hoje é sua proprietária.